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Sê Fiel
Editor: Edmar Torres Alves
Informações
O MINISTÉRIO DE DAMANIK APÓS SUA LIBERTAÇÃO

5/4/2005 - 09h55
O ministério de Damanik após sua libertação
INDONÉSIA (37º) - O pastor e militante da paz, Rinaldi Damanik está mais uma vez ministrando entre o povo de Sulawesi após ter sido liberto da prisão em novembro de 2004. Em uma recente entrevista, Damanik falou sobre sua vida após a prisão e a atual situação na Indonésia.
“Fiquei triste por ter que deixar os outros prisioneiros, mas farei algo para ajuda-los também. O que mais me impressionou foi que todos saíram de suas celas e foram até o portão para se despedir de mim. Muitos deles choraram. Eu não pude ver claramente porque eu também estava quase chorando, mas ouvi alguns deles dizer: Reverendo, nossa orações estão com você.”
Isso foi um tributo extraordinário, pois muitos deles eram prisioneiros muçulmanos extremistas.
Quinze dos internos foram acusados pelo ataque em Beteleme e em outros três vilarejos cristãos, em outubro de 2003. Onze cristãos morreram e muitos outros ficaram feridos nesses ataques.
Damanik disse que não teve dificuldades em adaptar-se a vida fora da prisão. “Quando eu estava preso, eu aceitei como se fosse algo que eu tinha que encarar. Não lamento o que aconteceu em nenhum momento, porque eu creio que Deus quis que isso acontecesse”.
A família de Damanik
“Minha esposa e minha filha estão bem. Mas desde que saí da prisão e fui eleito o presidente da igreja, fico fora a maior parte do tempo. As orações e o apoio de pessoas de todo o mundo as mantiveram fortes”.
A respeito de sua saúde, Damanik disse que não teve nenhum problema ou dor desde que saiu da prisão. Porém, ele acrescentou, “por favor, continuem orando por mim, para que eu continue forte e servindo”.
Deus usa até um tsunami
As condições em Sulawesi Central estão atualmente tranquila. “Existem várias razões para isso”, disse Damanik, “primeiro, as pessoas entenderam que violência nunca traz boas soluções.
Segundo, estão percebendo que algumas pessoas se beneficiam com os conflitos, pois elas provocam uma situação que na verdade, não é um conflito real nas comunidades. Terceiro, eu acho que o tsunami em Aceh fez as pessoas repensarem suas ações violentas. Tivemos também um terremoto em Palu e eu acho que isso fez as pessoas esquecerem suas diferenças. Entretanto, alguns cristãos in Sulawesi disseram: os muçulmanos mataram centenas de nós, e agora vejam o que aconteceu. Em um dia, Deus permitiu que milhares deles morressem de uma só vez. Essa atitude me deixou muito triste. Tive que trabalhar muito para convencer os membros de nossa igreja a fazer uma oferta especial às vítimas em Aceh e Nias. Eles concordaram e ainda estão arrecadando dinheiro.
Por outro lado, parece que os indonésios estão muito mais unidos agora. Não existem mais palavras de ódio e rancor dos fundamentalistas. Os muçulmanos começaram a falar sobre paz. Deus é tremendo. Ele pode usar até um tsunami”.
Damanik também comentou sobre os tiroteios contra as igrejas em Sulawesi Central ano passado. “Eu acho que esses tiroteios foram causados pelas mesmas pessoas que provocaram os conflitos inicialmente. Eles tentaram fazer as pessoas brigarem para que a corrupção não fosse investigada. Por exemplo, os fundos para os refugiados em Poso foram mal utilizados. Existem muitas outras possibilidades. Talvez eles querem que todos os cristãos deixem Sulawesi. Porém uma coisa é certa: aqueles tiroteios foram todos planejados, era trabalho de profissionais”.
O que a igreja deve fazer?
“Como eu sempre disse, as igrejas devem se unir, não como uma instituição, mas como povo de Deus. Depois do conflito em Poso, cada denominação tentou cuidar dos membros de suas igrejas. Lembro que, em novembro de 2004, quando ainda estava na prisão, um amigo de Palu me disse que pediria por proteção policial, mas quando a polícia pediu pagamento, meu amigo recusou. Afinal, é dever da polícia e das forças de segurança permitir que as pessoas congreguem seguramente em suas igrejas ou mesquitas.
Então, meu amigo pediu que os líderes das igrejas se reunissem e fossem até a polícia em protesto. Algumas igrejas recusaram e disseram que pagariam pela proteção. Isso é algum dos exemplos do que temos vivido aqui”.
Damanik disse que a falta de unidade enfraquece a eficácia da igreja em confrontar a corrupção e o trabalho pela paz.
Portas Abertas perguntou sobre o que as pessoas deveriam orar e Damanik respondeu: “Por favor, ore por aqueles que continuam buscando justiça. Ore por alimento diário, por moradia e para que nosso governo aja de acordo com a vontade de Deus”.
Agradecimentos
“Muito obrigado por lembrarem de mim e que o trabalho de Portas Abertas traga sempre paz ao mundo. Deus os abençoe!”
Tradução: Vanessa Portella
Missão Portas Abertas

O número ao lado do país mostra sua posição na Classificação de Países por Perseguição, que indica o grau de intolerância para com os cristãos no mundo. O levantamento das informações é feito pela Portas Abertas. Veja a lista no site abaixo citado.

Fonte: www.portasabertas.org.br Fone (11) 5181-3330


CRISTÃOS SÃO AGREDIDOS E AMEAÇADOS NO NORTE DA ÍND
5/4/2005 - 07h31
Cristãos são agredidos e ameaçados no norte da Índia
Culto em uma igreja na Índia
ÍNDIA (34º) - Carregando varas e pedras, os homens investiram contra o Pastor Chandy. “Nós já dissemos para você não vir aqui!” gritavam enfurecidos.
Era 19 de Março e o pastor estava conduzindo sua costumeira reunião de oração em um dos vilarejos do norte da Índia onde ele havia começado uma pequena associação. Ele estava alimentando seu rebanho faminto da Palavra de Deus quando os dois jovens interromperam o culto onde eles estavam se reunindo.
Dias antes, os dois homens tinham ameaçado o Pastor Chandy para que ele não voltasse ao vilarejo para as reuniões de oração. E hoje, eles estavam cumprindo suas ameaças.
Arrancando a Bíblia das mãos do pastor, um dos homens a despedaçou. Andando pela sala, eles brutalmente esbofetearam não só o pastor, mas também os crentes que estavam reunidos. Até as mulheres não foram poupadas de tal abuso. Uma mulher foi agarrada pelo pescoço e lançada a uma parede – e quase caiu inconsciente. Os homens também usaram uma vara para bater nos crentes e apanharam os hinários, levando-os consigo.
Miraculosamente, o pastor e os crentes escaparam – mas não antes de seus agressores lançarem uma ameaça mortal:
“Se houver esta reunião aqui novamente, nós os queimaremos vivos!”
Além do pastor, pelo menos cinco crentes sofreram perseguição no incidente. Apesar de sua dor física e emocional, apesar das ameaças eles se recusam a virar as costas a Jesus.
“Tudo pode acontecer – nós estaremos sempre ao lado do nosso Senhor,” disse um deles, expressando o sentimento dos demais.
Esta não é a primeira vez que o Pastor Chandy, 33, enfrenta oposição, mas na companhia de sua esposa e filhos ele se mantém comprometido com o ministério no qual Deus o chamou.
Agradeça a Jesus pela coragem que Ele tem dado a estes cristãos que o amam tão ternamente. Ore para que Deus continue a protegê-los e dar-lhes paz. Ore pelos que os perseguiram para que sejam atraídos a Jesus – talvez através da leitura dos hinários que roubaram.
Em áreas como esta no norte da Índia, a perseguição aos Cristãos não é comum. A obra de Deus está poderosamente sendo divulgada – pessoas que antes murmuravam perdão através de rituais e sacrifícios a falsas divindades estão agora ouvindo as maravilhosas notícias da esperança em Jesus. E a sede deles de expiação e importância está sendo preenchida na pessoa de Cristo.
Tradução: Denise Costa de Carvalho

O número ao lado do país mostra sua posição na Classificação de Países por Perseguição, que indica o grau de intolerância para com os cristãos no mundo. O levantamento das informações é feito pela Portas Abertas. Veja a lista no site abaixo citado.

Fonte: www.portasabertas.org.br Fone (11) 5181-3330


PÁSCOA EM ISRAEL
Abaixo, um editorial e uma notícia da Folha de São Paulo, de 23.04.05, a respeito dos progressos a caminho de um acordo de paz com Israel. E para alcançar esse acordo, para alcançar a paz, Israel já está cedendo terras, e ouve-se muito falar em "paz e segurança", conforme a Bíblia profetiza que aconteceria.
O acordo final pode não acontecer hoje, pode não acontecer nos próximos 10, 20 anos, mas vai acontecer. Vai acontecer porque Deus disse, através do profeta Daniel, que vai acontecer.
Será um acordo final de paz, por um período de 7 anos (sete semanas de anos), sendo que na metade dos 7 anos, o anti-cristo se revela, rompe o acordo, senta-se no trono como se Deus fosse, e segue-se uma tremenda tribulação, tribulação sobre a qual Jesus também falou.
"Ele fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada se derrame sobre ele" (Daniel 9. 27).
Edmar Torres Alves - editor

PÁSCOA EM ISRAEL
Num gesto simpático para com os israelenses, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, telefonou ao premiê de Israel, Ariel Sharon, para cumprimentá-lo pela Páscoa judaica, feriado que judeus de todo o mundo celebram a partir de hoje à noite. O "Pessach" marca a fuga do Egito, que, segundo a tradição, os antigos israelitas protagonizaram sob a liderança de Moisés.
Líderes palestinos cumprimentando seus homólogos israelenses -e vice-versa- por conta de feriados religiosos não constitui propriamente uma novidade. Apesar da situação de conflito, protocolos diplomáticos costumam ser observados. O telefonema, entretanto, serviu também para que os dois dirigentes acertassem um encontro pessoal para um futuro próximo, iniciativa que poderá dar mais algum alento ao processo de paz. Desde a morte de Iasser Arafat, em novembro, as chances de um entendimento entre israelenses e palestinos voltaram a ser consideráveis.
Abbas conseguiu costurar um acordo com os grupos extremistas por meio do qual se reduziram drasticamente os atentados terroristas contra civis israelenses. Fala agora em desarmar a população civil. Israel, por seu turno, libertou prisioneiros palestinos e segue com seus preparativos para abandonar Gaza. É o melhor momento para a paz desde o início da segunda intifada (rebelião palestina) após o colapso da cúpula de Camp David (EUA), em 2000.
Isso não significa que não existam tremendos obstáculos para a paz. Se a proposta de retirada de Gaza já colocou a extrema direita israelense em estado de guerra contra Sharon, seu antigo aliado, muito mais complicada será uma negociação em torno da Cisjordânia, a outra porção do território palestino que os israelenses terão de abandonar a fim de atingir um entendimento. Do lado palestino, há dúvidas de que os grupos terroristas estejam interessados em pôr um fim ao conflito. Espera-se, porém, que israelenses e palestinos consigam transformar o bom momento em passos mais efetivos rumo à paz.

ORIENTE MÉDIO
Abbas lembra o Pessach
Sharon acerta reunião com líder palestino
DA REDAÇÃO
O premiê israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, conversaram ontem e prometeram se encontrar em breve, segundo informações do gabinete de Sharon. O líder palestino telefonou para Sharon para lhe felicitar pela Páscoa judaica (Pessach), que é celebrada a partir da noite de hoje.
De acordo com o diário israelense "Haaretz", a reunião deve acontecer antes da viagem de Abbas para Washington, EUA, no próximo mês. O último encontro entre eles ocorreu em fevereiro, durante cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito. A nova reunião deve servir para que os dois líderes coordenem a retirada dos assentamentos e discutam a situação da segurança nos territórios.
O diretor do gabinete de Sharon, Dov Weissglas, e o negociador palestino Saeb Erekat se encontraram anteontem para preparar uma reunião entre Sharon e Abbas. Eles também não estabeleceram uma data mas defenderam um encontro. Erekat disse que as duas delegações concordaram em reiniciar os trabalhos de comissões para tratar da libertação de prisioneiros, retirada israelense e controle palestino sobre cidades na Cisjordânia.
Acredita-se que, logo após o feriado judeu, Sharon deve anunciar um adiamento de três semanas na retirada israelense da faixa de Gaza. Recentemente, o premiê disse que iria considerar a possibilidade de um breve adiamento. Serão desativados 21 assentamentos judeus em Gaza e quatro na Cisjordânia.
Analistas, no entanto, acreditam que o atraso deve ocorrer porque o governo não conseguiu seguir o calendário programado para realocar os 9.000 colonos. O ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, anunciou anteontem que concorda em adiar a retirada do final de julho para 15 de agosto.
O Pessach, uma das mais importantes celebrações do calendário judaico, comemora a saída dos judeus do Egito, onde eram escravos.

Fonte: Folha de São Paulo

TOLERÂNCIA
29/3/2005 - 10h39
Tolerância 2
BRASIL (*) - Em artigo recente chamado “Tolerância”, mencionou-se uma nova forma de “tolerância” que tem criado empecilhos à pregação do Evangelho. Porque é importante dar fundamento a esta percepção, publica-se a seguir o testemunho de Ron B Macmillan, escritor de tempo integral em Portas Abertas Internacional Reino Unido.
"Ao meu avião pousar depois de uma viagem ao Oriente Médio, eu dei uma boa respirada de alívio. Estava de volta aonde não precisava de ’vigiar minhas costas’ ou tomar cuidado com o que dissesse, ou quem eu visitasse. Estava de volta a um país com liberdade religiosa. Eu orei a Deus ’obrigado pelos homens e mulheres que batalharam para que eu desfrutasse desta liberdade. Obrigado por esta vitória’.
Então, dois incidentes aconteceram em seguida e que me fizeram pensar duas vezes.
Estava numa exposição de artes, olhando para uma pintura chamada ’homem surpreendido num cavalo’. Procurei pelo artista e lhe perguntei: ’é o apóstolo Paulo que você quis retratar nesta pintura?’
Aí eu pensei que ele fosse se agradar que eu tivesse chegado àquela conclusão, mas ele voltou-se para mim horrorizado e olhando em volta sussurrou: ’por favor, fale baixo. Quer que me rotulem como um artista religioso? Nunca venderia outro quadro se isso acontecesse’.
Depois, saindo dali e ainda atordoado por aquela experiência, tive um encontro com o líder de uma grande igreja em minha cidade. A igreja dele acabara de receber uma significativa doação do estado para reformas e renovação das instalações. Aí, ele me disse, ’tive de assinar uma declaração de que a igreja estaria disponível para pessoas de qualquer religião e que eu não tentaria converter quem quer que fosse. E fizemos isso alegremente pois queremos ser simplesmente um recurso para a comunidade’.
Subitamente me dei conta de que tinha de lutar por liberdade religiosa em meu próprio país. Tinha a idéia que havendo leis de tolerância eu poderia me sentir seguro. Mas não. Claramente, o artista demonstrou que admitir sua fé cristã em público seria um suicídio profissional.
Como tinha minha sociedade se tornado tão preconceituosa?
E o que dizer daquele clérigo que, despreocupadamente abria mão de seu direito de evangelizar sem refletir nos custos de longo prazo. De onde vinha a restrição ao evangelismo e como ele podia mostrar-se tão inconsciente da liberdade de que tinha aberto mão?
Um irmão perseguido no oriente médio tinha me alertado: a liberdade religiosa sempre precisa de proteção, onde quer que se esteja.
’Liberdade é frágil’, ele disse. ’Liberdade religiosa não é garantida pela mera existência de leis... isso é um mito criado pelos ativistas de direitos humanos. A liberdade religiosa é protegida por um clima de abertura e respeito que garante a correta aplicação das leis. Uma lei de tolerância pode, por exemplo, ser usada a favor ou contra cristãos. Cristãos têm sempre de lutar para garantir um clima de tolerância’, ele disse.
E disse mais: ’não importa o país em que se viva ou sob que tipo de estado, pois ainda assim vive-se numa cultura que odeia Cristo. É esta a luta de cada cristão na terra, não importa se a sociedade é ou não nominalmente cristã’.
Ele estava certo. Um clima de preconceito contra cristão tem sorrateiramente se instalado em sociedades ocidentais, mesmo aquelas que aparentam ser cristãs. Há uma batalha em nosso próprio quintal. Obrigado à Igreja Perseguida por me acordar para a luta."

Douglas Monaco - Secretário Geral de Portas Abertas Brasil

O número ao lado do país mostra sua posição na Classificação de Países por Perseguição, que indica o grau de intolerância para com os cristãos no mundo. O levantamento das informações é feito pela Portas Abertas. Veja a lista no site abaixo citado.

Fonte: www.portasabertas.org.br Fone (11) 5181-3330
* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo.

CRESCE PRESENÇA EVANGÉLICA ENTRE OS ÍNDIOS
QUESTÃO INDÍGENA
Número de povos com presença de protestantes aumentou 75,5% em 10 anos, afirma associação
Cresce presença evangélica entre índios
RAFAEL CARIELLO
ENVIADO ESPECIAL A CUIABÁ (MT)
"Senhor, nosso Deus, queremos pedir pelo povo muçulmano, esse povo que está oprimido", diz, de cabeça baixa e olhos fechados, um dos presentes ao culto da manhã de quarta-feira na capela da escola-internato Ami, a 55 km de Cuiabá, em Mato Grosso.
De pé, diante dos bancos de madeira da capela, há pouco mais de 60 índios, vindos de várias partes do Brasil e representantes de 14 etnias. Embora alguns falem e compreendam o português com dificuldade, todos mantêm a cabeça inclinada e o silêncio respeitoso até que termine a oração, amém. Pedem por quem, ao contrário deles, ainda não conhece "a palavra do Senhor".
O Ami pretende formar os índios como vanguarda do trabalho missionário evangélico entre as populações indígenas do Brasil.
O internato, cujo nome em hebraico significa "meu povo", fica à margem da estrada que liga Cuiabá à Chapada dos Guimarães. Foi construído em 1995 por diferentes organizações evangélicas. Reúne 30 edificações simples, que se espalham pelo terreno inclinado em área pouco habitada.
Vindos de aldeias que já foram "alcançadas" por missionários brancos, jovens que trazem o sobrenome de seus povos, como César Xavante, Rafael Nambiquara e Marina Ayore, passam ao menos três anos em cursos de "Orientação Cristã", "Bíblia, Base da Fé", "História do Cristianismo".
Voltarão mais tarde para casa, deixando os missionários americanos e brasileiros que financiam e fazem funcionar a escola com a esperança de que contribuam, eles também, para um empreendimento que não pára de crescer.
Dados da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras), que reúne organizações protestantes, mostram que o número de grupos indígenas "alcançados satisfatoriamente" ou "alcançados e com liderança autóctone" cresceu 75,5% em dez anos: de 53 povos, em 1995, para 93, hoje.
Os povos "sem presença missionária evangélica" caíram de 139, há dez anos, para 92, em 2005. Entre uma categoria e outra, há grupos intermediários, "alcançados insatisfatoriamente" ou "alcançados só por leigos".
O antropólogo da USP Marcos Rufino, que, no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, faz trabalho ainda não concluído de levantamento dessa presença entre índios, diz que os dados da AMTB "fazem sentido". "O cenário é de aumento mesmo."
Entre as duas datas limites do levantamento evangélico, os dados do Censo 2000 do IBGE tabulados pelo economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, revelam uma fotografia da "evangelização" dos índios.
Tomando a categoria "cor ou raça" assumida pelos entrevistados, o grupo em que há maior fatia de protestantes declarados é o dos indígenas. Entre eles, 22,4% se dizem protestantes, contra a média nacional, de 18%.
A razão óbvia e de boa-fé que move esses "jesuítas" do século 21 é a mesma que sempre motivou cristãos: ir e pregar o Evangelho.
Rufino menciona, entre os motivos para a expansão atual, a disputa entre diferentes denominações evangélicas. "Muitas missões protestantes acabaram tomando uma decisão tardia de entrar em áreas indígenas. Mas, quando uma missão vê que outras denominações estão entrando, isso provoca um ímpeto de querer estar presente também", ele diz.
Henrique Dias, 43, terena que é um dos diretores da escola, diz que várias denominações brasileiras e organizações missionárias norte-americanas mantêm o Ami -o custo mensal, diz, é R$ 10 mil.
Onze casais -seis brasileiros e cinco americanos- e um missionário alemão são os professores de 65 alunos (contados também seus filhos, são 107 índios vivendo por lá). Metade faz "curso paralelo", no qual aprendem português.
A outra metade freqüenta os cursos religiosos. Terminado o culto da manhã, 12 alunos ocupam a sala de aula localizada na casa ao lado. O americano Eric Peterson, 30, há três anos na escola, começa seu curso de cristianismo. Pergunta a Pedrinho Nambiquara por que Salomão se afastou de Deus. "Não lembro mais", responde o aluno. "Então, quantos livros a Bíblia tem?", pergunta. "66", diz Pedrinho. "Pode sentar."
A "boa nova" anunciada diariamente tem como objetivo permitir que os índios, "que são místicos", abandonem seus "medos" -a crença em espíritos que podem lhes fazer mal.
Dificuldade
Na hora do almoço, no refeitório, o aluno Inácio Nambiquara fala sobre as dificuldades de converter seu povo depois que terminar o curso, no fim do ano. Entre o arroz com feijão mais ensopado de carne e a sobremesa, explica que o cristianismo é mais que religião, "é coisa seríssima". "A vida que eu tenho é Deus que nos dá. Deus, que morreu por nós."
Afirma não crer "nos espíritos do mundo", mas diz também que é difícil convencer seus vizinhos de aldeia, no noroeste de Mato Grosso, do mesmo.
"Eles falam que ser cristão é cultura do branco, mas não é. É para todos", comenta. "Falam que o cristianismo muda a nossa cultura. Falam do cristianismo, mas antigamente não tinha bebida", diz, ao defender sua nova fé e apontar outra mudança em que, para ele, mora perigo maior.
Entidades
Os dois principais grupos americanos que financiam o internato Ami trabalham há décadas na tentativa de conversão religiosa dos índios. A SIL (Sociedade Internacional de Lingüística, em português) está presente no país desde a década de 50 e hoje tem 20 integrantes trabalhando com 11 povos indígenas. Um dos objetivos é verter para as línguas dos índios o Novo Testamento.
O administrador da organização em Cuiabá, Alec Harrison, disse à Folha que a SIL doa à escola US$ 12.200 por ano, desde a fundação, em 1995.
O principal empreendimento da South America Mission no país é o internato. Procurada, não informou quantos missionários tem no país nem em quantos povos atua. O diretor de desenvolvimento do grupo, Jeff Orcutt, diz que o objetivo é ajudar índios a se tornarem "brasileiros melhores".

Colaborou ANTÔNIO GOIS, da Sucursal do Rio

Fonte: www.folha.com.br

IGREJA ROMENA ORTODOXA AMEAÇADA DE DEMOLIÇÃO
29/3/2005 - 07h29

Igreja Romena Ortodoxa ameaçada de demolição

ROMÊNIA (*) - As autoridades locais insistiram que um diácono deve demolir uma Igreja Romena Ortodoxa construída por ele em sua vila natal de Malajnica, no leste da Sérvia. Eles argumentam que são necessárias a permissão de planejamento e a permissão separada da Igreja Ortodoxa Sérvia, apesar de nenhumas das duas serem requisitadas pela lei. A polícia também tem questionado o diácono sobre suas atividades religiosas. “Eu fui convidado para ir à delegacia para responder perguntas sobre onde e quando eu realizava serviços religiosos”, o sub-diácono Bojan Aleksandrovic disse ao Forum 18 News Service de Malajnica no dia 5 de março. "Todas as perguntadas eram relacionadas às regras e jurisdição da Igreja Ortodoxa, ao invés de se relacionarem à lei civil”.
Aleksandrovic disse que ele recebera uma promessa pessoal do ministro da Religião da Sérvia, Milan Radulovic, em uma reunião no começo de fevereiro, de que a igreja não seria demolida. “Desde então eu não recebi nenhum documento escrito a respeito disso", Aleksandrovic acrescentou, "e o caso está agora na Suprem Corte da Sérvia”.
Complicando a situação está a contínua recusa do governo sérvio em reconhecer a diocese da Igreja Ortodoxa Romena na Sérvia – a qual tem agora 39 paróquias. O estado a reconhece apenas como um vicariato, o status que ela tinha até fevereiro de 1997, quando o Santo Sínodo Ortodoxo Romeno a elevou ao status de diocese, e a observa como sendo confinada aos romenos étnicos, na região de Banat no norte da província de Vojvodina, um pouco distante de Malajnica.
Aleksandrovic construiu a pequena igreja e adicionou uma casa paroquial no ano passado, em sua propriedade particular e começou a usá-la para cultos no outono. No dia 4 de dezembro de 2004, o bispo Daniil (Stoenescu) – que lidera a diocese romena na Sérvia – doou os sinos da igreja.
Aleksandrovic foi obrigado a construir sem permissão de planejamento, porque essa área é definida por lei como sendo rural e não urbana e as autoridades não podem dar nenhuma permissão de planejamento; desta forma todas as casas na vila foram construídas sem qualquer permissão. Ainda no dia 20 de janeiro de 2005, o conselho de Negotin (a quem a jurisdição da vila pertence) emitiu a Aleksandrovic uma ordem de demolir a igreja, o campanário e a casa paroquial dentro de 15 dias, Ele teve permissão de contestar a ordem no tribunal.
Aleksandrovic inicialmente tentou procurar permissão de construção, aproximando-se do conselho de Negotin em novembro de 2003 (que não respondeu por diversos meses). Rajko Korica, vice-ministro de Investimentos Financeiros, finalmente escreveu a Aleksandrovic em abril de 2004 informando-o de que ele deveria entrar em contato com o Ministério da Religião para obter a permissão de construção. Entretanto, o Ministério da Religião respondeu que não poderia autorizar a emissão de tal permissão, e que ela deve vir das autoridades locais (neste caso o conselho de Negotin). De qualquer forma, a aprovação deveria ser primeiro obtida com a diocese ortodoxa sérvia, dentro da qual o local de templo está para ser construído. Uma vez que Malajnica está na diocese sérvia de Timok, Aleksandrovic precisaria da permissão do bispo sérvio Justin (Stefanovic).
No dia 16 de junho de 2004, o conselho de Negotin enviou a Aleksandrovic, por um emissário, a conclusão da administração do conselho de casos públicos e de construção, datada do dia 30 de abril de 2004, de que o procedimento havia sido repensado. A conclusão anotou que o conselho havia escrito ao bispo Justin, pedindo sua aprovação para a construção da igreja. "Eles receberam uma resposta, o documento nº 4 de 14 de janeiro de 2004, com a informação de que Bojan Aleksandrovic não é um clérigo da diocese de Timok e, por causa disso, ele tem o direito de pedir para construir uma igreja. Uma vez que [Aleksandrovic] questiona a ordem da igreja, ele não recebe a bênção do bispo Justin." O conselho deu a Aleksandrovic 30 dias para encontrar uma solução com o ministro da Religião para o conflito com a diocese sérvia e seu padre local, que é descrito como sendo “o único representante legal da diocese de Timok e, portanto, o único que pode decidir sobre a igreja proposta”.
Aleksandrovic contestou a rejeição do conselho de seu direito de construir, mas o distrito de Zajecar rejeitou sua apelação no dia 7 de dezembro de 2004, como sendo infundada. Ele apresentou um apelo contra isso na Suprema Corte no dia 5 de janeiro.
Em um caso separado, e porque apenas organizações e não indivíduos podem apresentar tais apelos, a Associação para Cultura de Romenos/Vlachs dos Romenos Ortodoxos Sérvios, em Malajnica, recorreu à conclusão do conselho de Negotin na corte constitucional. Mas no dia 13 de janeiro a corte rejeitou o pedido, declarando que a conclusão não era um ato público (era uma conclusão, e não uma decisão), e portanto não estava dentro das competências da corte.
Até se a vila tivesse status urbano (o que não é o caso) a procura do conselho de Negotin pela permissão do ministro da Religião para aprovar o novo lugar de culto é estranha. Aleksandra Rackov, do Ministério de Investimentos Financeiros disse ao Forum 18, no dia 4 de março em Belgrado, que a Lei de Planejamento e Construção não requer nenhuma permissão especial da liderança ortodoxa sérvia, ou do ministro da Religião, para qualquer edifício, incluindo lugares de culto.
Se as autoridades sérvias decidirem demolir o edifício, será dada a mesma explicação que o governo macedônio usou em outubro de 2004 para demolir o monastério ortodoxo sérvio de São João Cristóvão.
A doação dos sinos à igreja de Malajnica em dezembro provocou imediatamente uma resposta da rival Igreja Ortodoxa Sérvia. “Ninguém me informou do que poderia acontecer”, o bispo sérvio Justin foi citado pela imprensa local como tendo declarado isso. “Eu considero isso como um chamado ao separatismo, o que poderia interromper a vida em conjunta de vários séculos entre vlachs e sérvios nesta área”. O bispo reclamou ao Ministério de Relações Exteriores da União da Sérvia e Montenegro, já que o bispo Daniil tem um passaporte diplomático romeno.
O ministro da Religião Radulovic põe a culpa do problema de Malajnica na “relação indefinida” entre as igrejas sérvias e romenas. Ele acredita que a ordem de demolição foi decretada sem a permissão do bispo Justin.
A Igreja Ortodoxa Romena tem estada presente na Sérvia por vários séculos. Quando o Santo Sínodo Romeno elevou o vicariato ao estado de diocese em 1997, o bispo Daniil foi instalado como bispo com sua cadeira em Vrsac (cidade da Sérvia). Os governos sérvios e iugoslavos nunca reconheceram a diocese, já que ela não foi criada em acordo com a Igreja Ortodoxa Sérvia e com os cânones da igreja. O estado deixou que as igrejas sérvias e romenas encontrassem a solução do problema, e ele seguirá qualquer decisão tomada.
De acordo com o censo de 2002, 34.576 romenos étnicos e 40.046 vlachs vivem na Sérvia. Muitos vlachs se consideram etnicamente romenos. A maioria dos romenos e vlachs da Sérvia pertence à Igreja Ortodoxa Romena. Além dos romenos na região de Banat, outro centro de romenos e vlachs está na região de Timok, perto da fronteira oriental da Sérvia com a Romênia e a Bulgária. Os romenos em Banat podem pertencer livremente à Igreja Ortodoxa Romena, mas apenas a igreja sérvia existe em Timok, com cultos na velha igreja Slanovic, o que romenos – e até muitos sérvios – não conseguem entender.
Nos últimos oito anos, o bispo romeno Daniil tem visitado a área de Timok sem pedir permissão ou informas o bispo sérvio Justin, como é de costume entre igrejas ortodoxas irmãs. Como resultado dessas visitas, alguns romenos étnicos querem cuidados pastorais da igreja romena, ao invés da sérvia. Apesar de ser primariamente uma questão canônica, isso tem levantado várias questões políticas.
Em 2002 o governo sérvio introduziu Educação Religiosa nas escolas primárias e secundárias. A igreja Ortodoxa Sérvia foi especificamente mencionada nas regulamentações estabelecendo a matéria, mas não as igrejas ortodoxas russas, romenas e búlgaras, que também têm paróquias na Sérvia. O vigário ortodoxo romeno Mojse Janosh disse ao Forum 18 que se os ortodoxos romenos estivessem preparados para trabalhar como um vicariato e não como uma diocese, eles poderiam trabalhar nas escolas e o governo sérvio iria pagar os salários aos professores como fazem aos professores e padres ortodoxos sérvios. Ele acrescentou que a igreja continua a usar o vicariato para regular o seguro de saúde e pensão de seus clérigos porque o governo sérvio se recusa a reconhecer a diocese.
O ministro romeno de Relações Exteriores expressou várias vezes preocupação com o tratamento da Igreja Ortodoxa Romena na Sérvia, notando no dia 10 de janeiro que sua embaixada em Belgrado tem mantido constante contato com Aleksandrovic desde o mês anterior sobre o caso de sua igreja em Malajnica.
No dia 21 de janeiro, um dia depois que a ordem de demolição foi emitida – o ministro romeno de Relações Exteriores expressou um “profundo pesar” sobre a maneira como as autoridades têm se comportado, especialmente porque a permissão de planejamento não é requerida na vila, e fez representações através de canais diplomáticos. “O Ministério de Relações Exteriores expressa sua convicção de que a situação será classificada de acordo com a lei e com as aspirações justas de uma parte da comunidade local”, foi declarado.
Tradução: Daila Fanny

O número ao lado do país mostra sua posição na Classificação de Países por Perseguição, que indica o grau de intolerância para com os cristãos no mundo. O levantamento das informações é feito pela Portas Abertas. Veja a lista no site abaixo citado.

Fonte: www.portasabertas.org.br Fone (11) 5181-3330
* Este país não se enquadra entre os 50 mais intolerantes ao cristianismo.

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