Dez teses sobre o ódio
LUIZ FELIPE PONDÉ
Dez teses sobre o ódio
Para o Hamas, crianças palestinas mortas nada mais são do que heróis martirizados
LAMENTO , mas não vou ter com você, leitor sensível, uma conversa de salão sobre o ódio em Gaza.
Conversas de salão são aquelas onde políticos, éticos de plantão e amantes da humanidade desfilam sua indignação chique com o descaso das guerras com a dignidade humana -é fácil discutir o quintal alheio.
Como sou um simples colunista, devo levar você, caro leitor sensível, para fora do salão e ter consigo aquele tipo de conversa que foge aos salamaleques das festas.
Veja em mim alguém que simplesmente não gosta de festas.
O ódio no Oriente Médio tem milhares de anos.
O nome dele hoje é Gaza, Hamas, Israel.
Todo mundo acha que sabe como solucioná-lo.
Os últimos que tiveram algum sucesso foram os romanos.
Em meio a este ódio milenar, a verdade é, como diria o historiador francês Renan, "uma nuance entre mil erros".
Diante da delicadeza dessa verdade, esboçarei dez pequenas teses sobre este ódio.
Não sofro da mania científica, graças ao ceticismo, que em mim não é uma crença no erro inevitável de tudo que pensamos, mas sim uma vigília sobre nossa miséria moral e intelectual.
Essas teses são fruto da experiência de quem viveu em Israel duas vezes (uma num kibutz ao lado de Gaza, a outra pesquisando na Universidade de Tel Aviv) e que para lá já foi inúmeras vezes.
1. Crianças morrem em guerras.
Guerras são assim: matam todo tipo de gente.
É quase uma falsa virtude falar das crianças mortas em Gaza.
Todo mundo sabe que guerra é uma forma da política.
Ninguém gosta desse rosto humano, mas ele é humano, demasiado humano.
2. O Hamas usa crianças e escolas como escudo.
Esta máfia não se preocupa com a população: crianças palestinas mortas nada mais são do que heróis martirizados.
Isso é tão óbvio que não sei como nossos frequentadores de salão não percebem.
O Hamas não quer paz, quer a destruição de Israel, e os civis mortos são seu trunfo.
3. Os árabes nunca se interessaram pela questão palestina.
Sua retórica é pura conversa de salão.
Os árabes usaram os palestinos para "jogar os judeus ao mar".
Após a derrota árabe de 1948, a Jordânia ocupou a Cisjordânia e o Egito, Gaza.
Em 1967, Israel tomou esses territórios deles e não dos "palestinos".
A ditadura egípcia detesta o Hamas e seu fanatismo religioso tanto ou mais do que detesta Israel.
Crer na unidade árabe é tão idiota quanto crer que americanos e europeus nos acham iguais a eles.
4. Grande parte da população israelense é paranoica, não confia em ninguém.
"Onde estava o mundo quando estávamos em Auschwitz?".
Não creem em sutilezas históricas e acham que só são respeitados quando fortes.
O antissionismo seria uma face do antissemitismo.
5. Não há solução militar definitiva, onde se mata um terrorista hoje, nascem dois amanhã.
Mas os árabes só engoliram Israel por conta do poder militar deste e isso reforça a retórica dos falcões.
6. Muito do que Israel faz é ganhar tempo e tentar garantir que crianças não morram quando vão a escola.
Muito do que o Hamas faz é minar esse cotidiano na esperança de que ao longo do tempo o terror dissolva a sociedade israelense e que o ódio religioso una os árabes.
7. A repressão diária da população palestina mina a consciência moral do soldado israelense e isso causa danos ao Estado judeu.
Esses danos estão no coração do cálculo terrorista.
Reagir a esse cálculo com violência é o modo imediato de enfrentar o medo do terror cotidiano.
8. É ridículo ver ocidentais simpatizarem com os grupos fundamentalistas porque nós não suportaríamos viver com eles.
Essa atitude se alimenta da relação infantil que identifica Israel e os EUA aos malvados enquanto o Hamas significaria a luta pela liberdade.
É tão ridículo quanto o culto a Cuba.
9. Israel vive um impasse: como sustentar a identidade judaica de Israel sem submissão às leis religiosas?
O sionismo não tem futuro: ou é religioso e fanático, e fere a democracia moderna, ou é apenas político e cultural, e portanto racista.
Ou Israel rompe com o sionismo e dissolve a identidade judaica do Estado.
Rompe-se aqui a falácia judaica moderna por excelência porque não há judaísmo "cultural", só religioso.
10. Judeus e árabes são primos.
Primos sempre se matam quando algum patrimônio está em disputa.
Este ódio milenar só diminui sob forte pressão militar, ordenamento político e ganho econômico.
Só há paz se armada.
Não haverá paz no Oriente Médio neste século.
luiz.ponde@grupofolha.com.br
Fonte: www.folha.com.br (12.01.09)
Nota do editor:
Como dizem alguns jornais: "a responsabilidade pelos textos assinados é de seus autores".
Todavia, pelo fato de estarmos pesquisando, escolhendo, recebendo de amigos e escolhendo de novo, estamos nos comprometendo com um lado da história:
- o Hamas é um grupo terrorista, que tem como finalidade única "varrer Israel do mapa", como diz o presidente iraniano;
- o Hamas, como outros grupos "palestinos", adota a estratégia de fazer de civis: crianças e mulheres principalmente, seus escudos.
Depois diz para o mundo [e mostra as fotos] que Israel é assassino, que Israel comete "crimes de guerra".
- todo esse ódio contra Israel, remonta à origem deste povo (Israel), e tem apenas um motivo: Jesus!
Deus prometeu que essa terra seria de Israel em carater perpétuo, e o que se disputa não é a terra.
Por trás dos inimigos de Israel, conforme uma das matérias publicadas antes, está o "Leviatã", tratado pelos estudantes da escatologia como anti-cristo (a besta que emerge do abismo).
E o que ele pretendeu no passado, pretende hoje!
- no passado ele tentou matar Jesus, eliminando todas as crianças de menos de 2 anos, o que levou Deus a mandar José fugir para o Egito, junto com Maria e Jesus.
- hoje, ele tenta eliminar Israel do mapa, pois sabe que Jesus voltará, o dia está próximo, e Ele voltará em Israel, pisando seus pés no Monte das Oliveiras.
Assim, uma vez findo o embate contra o Hamas, outros surgirão, até que seja definitivamente assinado um acordo de paz; acordo esse que será quebrado na metade de sua vigência (Daniel 9. 27), quando o anti-cristo se revelará e promoverá a maior de todas as crises já vividas pelo mundo: a grande tribulação.
Jesus se referindo a ela disse que jamais houve igual, nem haverá outra (Mateus 24).
Não defendemos a guerra, lamentamos pelos vitimados, e oramos para que Jesus volte logo, quando então, e só com a Sua presença, haverá a Paz verdadeira e definitiva.
Edmar Torres Alves - editor do Sê Fiel
www.sefiel.com.br
postado por Edmar Torres Alves, , em 13-01-2009
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Sim ou não à existência de Israel?
Segue abaixo uma reportagem bem esclarecedora ( irônica e dura também ) sobre a situação de Israel.
Achei interessante enviar essa reportagem, tão rara no meio de tanto ódio a Israel.
Quanto ao que me perguntaram sobre o "suposto" rompimento da trégua pelo Hamas e/ou Israel, digo o mesmo que o autor da reportagem :nunca houve trégua, o Hamas continuou enviando mísseis quase diários a Israel.
Alguém lembra da quantidade de atentados terroristas que Israel recebeu nesses últimos cinco anos ?
Quantas crianças também morreram ? Quantos mutilados ? Pizzarias, estações de trem, ônibus, carros, lojas, shoppings explodidos ?
A ONU promoveu alguma resolução para condenar esses atos ?
Não há somente pecado do lado de Israel. Há pecado de ambos os lados. E Deus os vai julgar por isso; com este fato não me preocupo. Me preocupo com a demonização de Israel, com o bode expiatório a que o estão tansformando ( e consequentemente, nova perseguição e demonização dos judeus de todo o Mundo ).
Historicamente falando, Israel tem se defendido dos diversos ataques em sua curta vida como país ( porque os radicais islâmicos abominam o nome Israel e tudo que se refere a ele ).
Como o autor bem diz no artigo, Israel adquiriu o direito de existir, pela Lei e na marra, na diplomacia e na guerra.
Quanto à chamarem Israel de "filhote",
"mascote", "empregado", "pau mandado",
"marionete" dos Estados Unidos, acho, no mínimo, um profundo desrespeito a um PAÍS, uma NAÇÃO que já existia milhares de anos antes da formação dos Estados Unidos, e que foi reestabelecido com o aval das Nações, já profetizado na Palavra do Senhor.
Se os Estados Unidos ficam ao lado de Israel é, porque, Graças a Deus, esse país tem ainda uma formação cristã que permite ver além das circunstâncias.
Eu também digo sim à existência de Israel e de todos os judeus do Mundo !
Não tenho medo de dizer isso.
abraço a todos
na paz do Senhor Jesus
Sandro
Sim Ou Não À Existência de Israel? Essa É A Primeira Questão. Eu Digo 'Sim'
por Reinaldo Azevedo, do blog da VEJA.
O Hamas rompeu a trégua com Israel - a rigor, nunca integralmente respeitada -, e aqueles que ora clamam pelo fim da reação da vítima - e a vítima é Israel - fizeram um silêncio literalmente mortal.
Hipócritas, censuram agora o que consideram a reação desproporcional dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída que não seja o conformismo da vítima.
É desnecessário indagar como reagiria a França, por exemplo, se seu território fosse alvo de centenas de foguetes.
É desnecessário indagar como responderia o próprio Brasil.
O Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty - que vive o ponto extremo da delinqüência política sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães - aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta militar se o Brasil passasse a ser alvo diário de inimigos.
Há dias, Lula afirmou que o Brasil precisa ser uma potência militar se quiser ser respeitado no mundo.
Confesso que, dada a moral ora vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro que o país tenha, no máximo, aqueles fogos Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não podem dar xabu...
Lula merece, no máximo, ter um rojão ou aqueles fósforos coloridos de São João para brincar.
É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente.
Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação.
Por quê?
O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção.
Mas falta a essa gente coragem para dizer claramente o que pretende.
Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros.
Ele não esconde o que pretende.
Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.
Será que exagero?
Que outra consideração estaria na origem da suposição de que um país deve se quedar inerme diante de uma chuva de foguetes em seu território?
"Não, Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação desproporcional".
Tratarei desse argumento, essencialmente mentiroso e de ocasião, em outro post.
Neste artigo, penso questões mais profundas, que estão na raiz do ódio a Israel.
Como se considera que aquele estado é essencialmente ilegítimo, cobra-se dele, então, uma tolerância especial.
Aliás, exigem-se dos judeus duas reações particulares, de que estariam dispensados outros povos.
Como os hipócritas do silêncio consideram que a criação de Israel foi uma violência, cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir e jamais reaja.
Seria uma espécie de suicídio.
Israel faria por conta própria o que várias nações islâmicas - em grupo, em par ou isoladamente - tentaram sem sucesso em 1956, em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa.
Dói na consciência e no orgulho dos inimigos do país a constatação de que ele adquiriu o direito de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo de batalha.
A segunda reação particular guarda relação com o nazismo.
Porque os judeus conheceram o horror, estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores: teriam de ser eternamente vítimas.
Ao povo judeu seria facultado despertar ódio ou piedade, mas jamais temor.
Franceses, alemães, espanhóis, chineses, japoneses e até brasileiros cometeram ou cometem suas injustiças e violências - e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias.
Mas os judeus?!
Eles não!!!
Esperam-se passividade e mansidão pouco importa se são tomados como usurpadores ou vítimas.
O anti-semitismo ainda pulsa, eis a verdade insofismável.
Tudo seria mais fácil se as posições fossem aclaradas.
Acatar ou não a legitimidade do estado de Israel ajudaria muitas nações e muitas correntes político-ideológicas a se posicionar e a se pronunciar com clareza:
"Sim, admito a existência de Israel e penso que aquele estado, quando atacado, tem o direito de se defender".
É o que pensa este escriba.
Ou: "Não! Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes, estão apenas defendendo um direito".
Mas os hipócritas não seriam o que são se não cobrissem o vício com o manto da virtude.
Como não conseguem imaginar uma solução para alguns milhões de israelenses que não o mar - e, desta feita, sem Moisés para abri-lo -, então disfarçam o ódio a Israel com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas:
"pacifismo", "antimilitarismo", "reação proporcional", "direito à resistência", etc.
Na imprensa brasileira, um jornalista como Janio de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza de "genocídio", dando alguma altitude teórica à militância política anti-Israel - embora o próprio Hamas admita que a maioria das vítimas seja mesmo composta de militantes do grupo.
Trata-se, claro, de uma provocação: sempre que Israel é acusado de "genocida", pretende-se evocar a memória do Holocausto.
Em uma única linha, sustenta-se, então, uma farsa gigantesca:
a) maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus:
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas é a força agressora, e Israel, o país agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram exterminá-los, o que, por razões que dispensam a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma indagação monstruosa: não seria o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor daquele destino já que incapaz de aprender com a história?
E pouco importa se os que falam em genocídio têm ou não consciência dessas implicações: o mal que sai da boca dos cínicos não vira virtude porque na boca dos tolos.
Em junho de 2007, esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza.
E venceu.
O grupo preferiu não fazer prisioneiros.
Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça - muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena.
"O que ocorreu no centro de segurança [as execuções] foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas.
"Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta.
A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo.
Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida:
"Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas".
Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.
Ódio a Israel
O ódio a Israel espalhado em várias correntes de opinião no Ocidente é caudatário da chamada "luta contra o Império".
O apoio ao país nunca foi tão modesto - em muitos casos, envergonhado.
Não é coincidência que assim seja no exato momento em que se vislumbra o que se convencionou chamar de "declínio americano".
Israel é visto como uma espécie de enclave dos EUA no Oriente Médio.
As esquerdas do mundo caíram de amores pelos vários sectarismos islâmicos, tomados como forças antiimperialistas, de resistência.
Eu era ainda um quase adolescente (18 anos)- e de esquerda! - quando se deu a revolução no Irã, em 1979, e me perguntava por que os meus supostos parceiros de ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá Khomeini, que me parecia, e era, a negação, vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam nos orientar - e o estado laico era um deles.
Mas quê... A "luta antiimperialista" justificava tudo.
O que era ruim para os EUA só poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas.
No poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...
É ainda o ódio ao "Império" que leva os ditos
"progressistas" do mundo a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada para censurar Israel e se alinhar com as "vítimas" palestinas.
Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez.
Mas o que é terrorismo?
Pergunte a qualquer "progressista" da imprensa ou de seu círculo de amizades se ele considera o Hamas um grupo "terrorista".
A resposta do meliante moral virá na forma de uma outra indagação:
"Mas o que é terrorismo?"
A luta "antiimperialista" torna esses humanistas uns relativistas.
Eles dirão que a definição do que é ou não terrorismo decorre de uma visão ideológica, ditada por Washington, pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá eu...
Esses canalhas são capazes de defender o "direito" que os ditadores islâmicos têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos - "democracia não se impõe", gritam -, mas, por qualquer razão que não saberiam explicar, acreditam, então, que Washington, a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem fazer as suas escolhas.
E essas escolhas, vejam que coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem as liberdades democráticas.
Se você disser que explodir bombas num ônibus escolar ou num supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo responderão que isso não é diferente da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação insidiosa contra civis.
Para esses humanistas, a ação contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas...
Falei em nazistas?
Ah, sim: os antiisraelenses gostam de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram contra o nazismo.
Ao fazê-lo, não só igualam, então, os vários
"terrorismos" como também os vários "estados da ordem".
No caso, o nazismo não se distinguiria dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer outro estado que sofra com a ação terrorista.
Só querem a paz
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da "paz".
E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa.
Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o Acordo de Munique, que o digam.
Como observou Churchill, entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram a guerra.
Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto, costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam sempre a uma situação extrema, que se considera única, irreproduzível.
A questão, então, é como Israel pode fazer a paz com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita a linguagem das armas e da morte.
O Hamas é o inimigo que mora ao lado - e, com freqüência, dentro de Israel.
Mas há os que estão um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo.
O que vocês acham que acontecerá quando (e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma bomba nuclear?
Em nome da paz, senhores pacifistas, espero que Israel escolha a guerra.
E ele escolherá, fiquem certos, concordem os EUA ou não.
A ação de Israel só fortalece o Hamas
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano foi entregue - sejamos claros - aos xiitas do Hezbollah.
Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de lá os corruptos moderados da Fatah, não sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros na guerra civil palestina.
Isso indica um padrão, pouco importa a vertente religiosa dos sectários.
A guerra desastrada contra a facção xiita no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo de agora, significou, de fato, uma lição amarga aos israelenses: se a ação militar não cumpre o propósito a que se destina, ela, com efeito, só fortalece o inimigo.
Na prática, é o que pedem os que clamam pela suspensão dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel dispare contra a sua própria segurança.
O argumento de que os ataques só fortalecem o Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta de resistência saem, não por acaso, da boca de intelectuais palestinos ou de esquerda.
Cumpre perguntar se, no status anterior, havia algum sinal de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com os terroristas que os governam.
Mais uma vez, está-se diante de uma leitura curiosa: a única maneira de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar os foguetes disparados pelo... Hamas!
Como se vê, os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e todos eles cobram que os israelenses se conformem com os ataques.
A volta a 1948
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é defensável se devolvido à demarcação definida pela ONU em 1948.
Digamos, só para raciocinar, que se possa anular a história da região dos últimos 60 anos...
Os inimigos do país considerariam essa condição suficiente para admitir a existência do estado judeu?
A resposta, mesmo diante de uma hipótese improvável, é "NÃO".
Mesmo as facções ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam "os refugiados", que teriam sido "expulsos" de suas terras - terras que, na maioria das vezes, foram compradas, é bom que se lembre.
Tal reivindicação é só uma maneira oblíqua de se defender que Israel deixe de ser um estado judeu - e, pois, que deixe de ser Israel.
E isso nos devolve ao começo deste texto.
Aceita-se ou não a existência de um estado judeu?
Israel está muito longe, no curtíssimo prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e em 1973.
Não obstante, sustento que nunca correu tanto risco como agora.
Desde a sua criação, jamais se viu tamanha conspiração de fatores que concorrem contra a sua existência:
- a chamada "causa palestina" foi adotada pela imprensa ocidental - mesmo a americana, tradicionalmente pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados dos EUA, como Israel, parte da reação negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da morte e se tornaram os "excluídos" de estimação do pensamento politicamente correto: o que são 300 mil mortos no Sudão e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas?
A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro, mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira: a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã - que tem em sua pauta a destruição de Israel -, busca romper o isolamento internacional aliando-se a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é e o que não é aceitável no que concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se que o combate a seus agressores só os fortalece, ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...
Sim ou não à existência de Israel?
Sem essa primeira resposta, não se pode começar um diálogo.
Ou romper de vez o diálogo.
Sem essa resposta, o resto é conversa mole.
SOBRE A DITA REAÇÃO DESPROPORCIONAL
De todas as coisas estúpidas que se podem dizer na censura a Israel, a maior é a que aponta a chamada "reação desproporcional".
Então é preciso definir o que é "proporcionalidade".
O que deveria fazer um estado organizado?
Jogar alguns foguetes em Gaza?
Dada a densidade demográfica da região, um único mataria certamente mais palestinos do que todos aqueles disparados pelo Hamas contra Israel, fazendo quatro vítimas.
A guerra viraria uma espécie de jogo de salão.
E Israel seria sempre um caudatário das escolhas dos terroristas.
E o mundo, incluindo o Brasil, ficaria em silêncio.
Quatro mortos aqui? Quatro lá. Cinco aqui? Cinco lá.
O estado agredido ficaria sempre à espera do recrudescimento da ação do adversário.
Bem, há uma lógica implícita aí, não?
Adivinhem quem morreria primeiro.
Não fosse o veto dos EUA, a ONU teria emitido uma resolução cobrando de Israel a imediata suspensão da ação militar.
O texto, acreditem, não fazia menção aos foguetes disparados cotidianamente pelo Hamas.
Nessas circunstâncias, parece que os críticos da chamada "reação desproporcional" censuram menos os quase 500 mortos da Faixa de Gaza do que os poucos mortos do lado Israelense.
Para essa gente - incluindo o governo brasileiro -, uma guerra justa precisa ter mais judeus mortos do que os havidos até agora.
Mais ainda: censuráveis parecem ser a competência de Israel para se defender e a incompetência do Hamas para atacar.
Na prática, pedem que Israel permita primeiro que seu inimigo cresça o bastante para poder matar com mais eficiência.
E tudo seria ético e justo.
O ITAMARATY AINDA CHEGA LÁ
Detestável e asquerosa a escalada da retórica do governo brasileiro contra Israel.
Se vocês procurarem no arquivo do blog, encontrarão posts em que censurei Lula por ter feito excursões às ditaduras islâmicas, mas não ter pisado no solo da única democracia do Oriente Médio: Israel.
A petralhada, claro, acusou-me de estar ideologizando uma questão que seria puramente comercial: o Apedeuta seria só o nosso mascate, vendendo o Brasil para o mundo.
Conversa! A aproximação do governo brasileiro com ditaduras islâmicas era só parte da dita genial estratégia do Itamaraty de afastar o Brasil de um suposto alinhamento automático com os EUA.
Desde os tempos de Primeira Leitura afirmo que os desastres da política externa petista são, com efeito, um sucesso...
Até entre jornalistas!
Esse Itamaraty que se vê tão severo com Israel, apelando aos mais altos interesses humanitários, votou, na ONU, contra a censura ao governo do Sudão.
Milícias apoiadas por um facínora mataram, naquele país, mais de 300 mil pessoas.
Há pelo menos 3 milhões de refugiados.
O Brasil estava de olho no apoio de mais um gorila à sua pretensão de ampliar e integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nada a estranhar.
Repete-se a mesma retórica empregada CONTRA o governo constitucional da Colômbia.
Quando se refere às Farc, o governo Lula fala no fim das hostilidades e na necessidade do entendimento, igualando os terroristas a um governo eleito democraticamente.
O Itamaraty nunca desceu tanto.
E tudo indica que ainda não atingiu o fundo do poço.
postado por Edmar Torres Alves, , em 13-01-2009
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O novo significado de uma velha luta
O novo significado de uma velha luta
Mísseis em Gaza podem alterar os cálculos no Oriente Médio
Por STEVEN LEE MYERS
WASHINGTON - Ao lançar uma série de ataques punitivos contra Gaza, Israel claramente pretendia impor ao rival Hamas uma derrota da qual ele não conseguiria se recuperar tão cedo.
A campanha pode até ter sucesso, dizem especialistas nos EUA e em Israel, mas também pode sair pela culatra.
Seja como for, as consequências políticas devem reverberar em todo o Oriente Médio, até no Irã, e ajudarão a determinar a capacidade do presidente eleito Barack Obama em cumprir seu objetivo declarado de acalmar a região por meio da diplomacia.
Embora a liderança israelense não esteja declarando seus objetivos mais amplos, havia no país a esperança de que a ofensiva em Gaza seria profunda o suficiente para, além de conter os foguetes do Hamas, deslegitimar o grupo aos olhos do povo palestino.
Divisões políticas, étnicas e sectárias da região já ficaram claras anteriormente, e Israel sempre tentou explorá-las.
Num cenário altamente otimista para Israel e os EUA, uma vitória clara de Israel facilitaria que Egito, Jordânia e países mais afastados declarassem uma causa comum contra a militância islâmica e o seu principal patrocinador na região, o Irã.
Então, como argumentou Martin Indyk, ex-embaixador dos EUA em Israel, uma força de paz internacional, composta por soldados turcos e árabes, poderia abrir caminho para a restauração do controle político da faixa de Gaza pelo presidente Mahmoud Abbas, que dirige a facção laica Fatah e nominalmente é o presidente de todos os palestinos, embora na realidade seja o enfraquecido líder apenas da Cisjordânia.
Um tratado estabelecendo dois Estados (Israel e Palestina) então poderia surgir, e talvez até a paz entre Israel e Síria, deixando o Irã isolado por trás de um Iraque agora democrático e pacífico, ainda que não particularmente amistoso.
O Irã é o país -junto com Israel- que mais tem a ganhar ou perder.
Ele patrocina o Hamas e o Hizbollah não só para atormentar Israel, mas também para difundir sua influência no mundo árabe.
Uma derrota convincente do Hamas iria abalar essa estratégia e presumivelmente a capacidade do Irã em resistir à pressão ocidental em qualquer barganha ampla -por exemplo, em torno do seu apoio a grupos terroristas e até do seu programa nuclear.
"É um cenário ambicioso", disse Indyk, alertando que "isso exigiria que as coisas ainda piorassem significativamente antes de melhorarem".
No entanto, os ataques israelenses também podem fracassar totalmente, e a história sugere que esse cenário é o mais provável, segundo especialistas de todo o espectro político.
Os ataques -e a ira árabe contra as cenas de morte e destruição- salientam as divisões no Oriente Médio que podem impedir as nações árabes de trabalharem com Israel.
É claro que o Egito, cujo acordo de paz com Israel é odiado por militantes islâmicos, em geral manteve sua fronteira com Gaza fechada nos últimos tempos, e seu presidente, Hosni Mubarak, desentendeu-se abertamente com o líder do Hizbollah, o grupo xiita apoiado pelo Irã que agora participa do poder no Líbano.
E, numa reunião da Liga Árabe, o chanceler saudita repreendeu o Hamas de forma gentil e indireta por ter provocado o conflito.
Essas ações estão de acordo com os sonhos israelenses.
Mas os ataques também submeteram o Egito e outras nações árabes moderadas a um furioso desdém das inflamadas populações locais.
E isso aumentou a distância entre governantes e cidadãos de países formalmente aliados dos EUA e dispostos a lidar com Israel.
Quanto mais isso durar, mais provável é que as tensões regionais se agravem.
As imagens da carnificina podem alimentar novos ódios e radicalizar algumas pessoas que antes viam mais esperança no processo de paz do que na resistência.
De certa forma, os ataques a Gaza lembram a aposta que Israel fez -e em grande medida perdeu-em 1982, no Líbano.
Israel invadiu para eliminar a ameaça das forças de Iasser Arafat, acampadas junto à sua fronteira norte.
Alcançou esse objetivo, empurrando Arafat ao exílio em Túnis, de onde posteriormente ele sairia para reconhecer Israel e negociar.
Mas, enquanto isso, uma nova ameaça virulenta a Israel surgia no Líbano, o Hizbollah.
A fronteira norte de Israel continuou insegura, e a influência do Irã cresceu.
Agora Abbas, já completamente atolado na sua rivalidade com o Hamas, pode ficar mais isolado em relação ao sentimento palestino, enquanto se prolongar a ofensiva israelense.
Há crescentes sinais de que o confronto está fortalecendo a resistência palestina, levando Abbas a se dizer preparado a abandonar o processo de paz iniciado em novembro de 2007 em Annapolis (EUA).
"O que ele [Abbas] tem a nos oferecer um ano depois de Annapolis?", disse por telefone, da Cisjordânia, Mustafa Barghouti, parlamentar palestino independente e defensor da democracia.
Barghouti, que foi ministro no efêmero governo de unidade nacional formado após a vitória eleitoral do Hamas em 2006, disse que a única solução durável seria uma acomodação que incluísse o Hamas:
"Há duas formas de lidar com o Hamas: ou confrontá-los, o que os torna mais extremados, ou aceitá-los no processo político".
A maioria dos analistas prevê que algum tipo de negociação com o Hamas será inevitável, já que Israel não parece nem capaz nem disposto a reocupar Gaza e substituir sua liderança, o que deixaria o Hamas com muitos seguidores em Gaza.
"O Hamas como instituição não está realmente sofrendo baixas", disse Ziad Asali, presidente da Força-Tarefa Americana para a Palestina.
"O povo de Gaza é que está pagando o preço."
Fonte: The New York Times (suplemento da Folha)
postado por Edmar Torres Alves, , em 13-01-2009
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Como medir proporção?
Como medir proporção?
SALOMÃO SCHVARTZMAN e ZEVI GHIVELDER
É inviável o diálogo entre um Estado democrático e uma organização que, em seu estatuto básico, prega a destruição total de Israel
OS RECENTES acontecimentos na faixa de Gaza comprovam de forma definitiva que a questão entre Israel e os palestinos não é de natureza territorial, conforme vem sendo repetido há mais de 40 anos.
Em 2000, em uma reunião realizada em Camp David, sob mediação de Bill Clinton, o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, ofereceu a Arafat cerca de 92% da Cisjordânia e toda a faixa de Gaza, com a criação de um corredor entre as duas localidades.
Arafat recusou, preferindo liderar de forma camuflada, como sempre, a segunda Intifada.
No mesmo ano, Israel saiu inteiramente do sul do Líbano.
Como consequência, passou a sofrer ataques de foguetes disparados pelo Hizbollah.
Em 2005, Israel retirou-se por completo da faixa de Gaza.
Assim, os palestinos tiveram a oportunidade única de ali implantar um embrião do que poderia vir a ser seu futuro Estado independente.
Entretanto, os palestinos interessados na paz perderam as eleições legislativas e Gaza foi dominada pela organização terrorista Hamas, que, desde então, já despejou cerca de 10 mil foguetes sobre populações civis de Israel.
Quando houve entre Israel e um de seus vizinhos uma questão de fato territorial, ela foi resolvida no acordo de paz com o Egito, que recebeu de volta todo o Sinai, ocupado na Guerra dos Seis Dias, tendo Sadat, sabiamente, declinado da soberania egípcia sobre a faixa de Gaza.
Hoje, até mesmo os mais ferrenhos opositores do Estado judeu reconhecem que a atual operação militar em Gaza é uma resposta aos ataques do Hamas, mas veem nas decorrentes ações bélicas uma "desproporção".
O que vem a ser proporção em um conflito armado?
Há algum critério, alguma tabela, que a caracterize?
Será que existe um consenso universal segundo o qual Israel teria o direito de matar "y" palestinos se contasse "x" mortos por foguetes?
Quando, no Rio de Janeiro, a Polícia Militar invade um morro com 500 homens para caçar meia dúzia de traficantes, que também recorrem aos escudos humanos, faz um ataque desproporcional?
Quando os EUA, após o 11 de Setembro, lançaram milhares de toneladas de bombas sobre o Afeganistão dos talibãs, incluindo um hospital atingido, houve proporção?
E quando os russos entraram com tudo para esmagar os rebeldes da Tchetchênia, a ação foi desproporcional?
No dia 7 de junho de 1981, quando Israel bombardeou o que seria uma instalação nuclear no Iraque, houve protestos em todas as partes do mundo.
Na Casa Branca, durante uma reunião de emergência, o vice-presidente George Bush propôs sanções contra Israel.
O mesmo George Bush que, dez anos mais tarde, viria a desencadear a primeira Guerra do Golfo contra o Iraque.
Há dias, o Conselho de Segurança da ONU determinou um imediato cessar-fogo na faixa de Gaza.
Entretanto, para que isso de fato aconteça, deve haver uma interlocução válida.
É inviável, porém, o diálogo entre um Estado democrático e uma organização que, em seu estatuto básico, prega a destruição total de Israel.
Alguém consegue, por exemplo, imaginar o novo presidente Obama negociando com o velho terrorista Osama?
Marco Aurélio Garcia, assessor especial de Política Externa do presidente Lula, caracterizou a ofensiva israelense em Gaza como "terrorismo de Estado", uma expressão tão vaga quanto insidiosa e que, a rigor, nada significa.
No entanto, ele permaneceu em comovente silêncio quando a população civil israelense vinha sendo atingida por foguetes do Hamas.
Garcia declarou, ainda, que o presidente tem simpatia pela causa palestina.
Qual causa palestina?
A de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina na Cisjordânia, que está chegando cada vez mais perto de um acordo com Israel, ou com a causa palestina que perpetra o terror?
Não é somente Lula que tem simpatia pelos palestinos.
Israel também tem.
Só não tem pelo Hamas.
O grande psicanalista brasileiro Hélio Pellegrino costumava dizer que a síntese da injustiça está na seguinte proposição:
"O senhor tem toda a razão, mas vai preso assim mesmo".
É o que o mundo está fazendo agora com relação a Israel.
Por isso, vale lembrar um conceito de Golda Meir, quando primeira-ministra:
"Prefiro receber protestos a receber condolências".
SALOMÃO SCHVARTZMAN, 74, jornalista e sociólogo, é colunista da BandNews FM e da BandNews TV. Foi diretor da Sucursal Paulista da revista "Manchete".
ZEVI GHIVELDER, 74, jornalista, foi diretor do grupo Manchete e diretor dos telejornais da extinta Rede Manchete de Televisão. É autor do romance "As Seis Pontas da Estrela" e do livro de reportagens "Missões em Israel".
TENDÊNCIAS/DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
Fonte: www.folha.com.br (13.01.09)
postado por Edmar Torres Alves, , em 13-01-2009
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Extremismo é o pior inimigo palestino
Extremismo é o pior inimigo palestino
BERNARD-HENRI LÉVY
Por não ser especialista em assuntos militares, me absterei de julgar se o bombardeio israelense a Gaza poderia ter sido mais direcionado, menos intenso.
E depois de décadas em que não me vi capaz de distinguir entre os bons mortos e os maus mortos ou, como Camus costumava dizer, entre as "vítimas suspeitas" e os "executores privilegiados", sinto-me também profundamente perturbado pelas imagens de crianças palestinas que foram mortas.
Isso posto, e levando em conta que certos veículos de mídia se deixaram outra vez carregar pelos ventos da sandice -como costuma ser o caso sempre que Israel está envolvido-, gostaria de lembrar a todos alguns fatos:
1. Nenhum outro governo, nenhum país -a não ser o vilipendiado Israel, sempre demonizado- toleraria ter suas cidades como alvo de milhares de obuses a cada ano.
A coisa mais notável nisso tudo, a verdadeira surpresa, não é a "brutalidade" de Israel, mas sim, literalmente, sua paciência.
2. O fato de que os mísseis Qassam e agora Grad do Hamas tenham causado tão poucas mortes não prova que são artesanais, inofensivos nem nada assim, mas sim que os israelenses se protegem, que vivem emparedados nas cavernas de seus edifícios, em abrigos: uma experiência fantasmagórica, suspensa, em meio ao som das sirenes e explosões.
Já estive em Sderot; sei do que falo.
3. O fato de que, inversamente, o bombardeio israelense tenha causado tantas vítimas não significa, como proclamam zangadamente os oponentes, que Israel esteja envolvido em um "massacre" deliberado, mas que os líderes de Gaza optaram pela atitude oposta e estão expondo sua população, confiando na velha tática do "escudo humano".
O que significa que o Hamas, como o Hizbollah dois anos atrás, está instalando seus postos de comando, suas casamatas, seus arsenais, nos porões de edifícios residenciais, hospitais, escolas, mesquitas. Eficiente, mas repugnante. (negrito deste blog)
4. Há uma diferença crucial entre os combatentes que aqueles que desejam ter uma ideia "correta" sobre a tragédia e sobre as maneiras de pôr fim a ela precisam admitir.
Os palestinos abrem fogo contra cidades, ou, em outras palavras contra civis (o que a lei internacional define como "crime de guerra"); os israelenses tomam por alvo objetivos militares e causam, sem que o desejem, baixas civis horríveis (o que a linguagem da guerra define como "dano colateral" e, embora terrível, indica uma verdadeira assimetria estratégica e moral). (negrito deste blog).
5. Porque precisamos colocar os pingos nos is, recordemos uma vez mais um fato que a imprensa pouco citou e do qual não conheço precedente em qualquer outra guerra ou da parte de qualquer outro exército.
Durante a ofensiva aérea, o Exército israelense apelou constantemente a moradores de Gaza que vivem perto de alvos militares para que deixassem essas áreas. (negrito deste blog).
Um ministro israelense disse que 100 mil pessoas foram contatadas.
Isso não altera o desespero de famílias cujas vidas foram dilaceradas pela carnificina, mas não se trata de um detalhe totalmente desprovido de sentido.
6. Por fim, quanto ao famoso bloqueio total imposto a um povo faminto ao qual falta tudo nesta crise humanitária "sem precedentes": uma vez mais, a definição não é factualmente correta.
Desde o começo da ofensiva terrestre, os comboios de assistência humanitária vêm cruzando incessantemente a passagem de Kerem Shalom.
Segundo o "New York Times", em 31 de dezembro cerca de cem caminhões transportando suprimentos de comida e remédios entraram no território.
E aproveito para invocar, nem que seja apenas para preservar a lembrança dessa verdade (pois creio que seria desnecessário dizê-lo, ou talvez seja melhor dizê-lo de vez), o fato de que os hospitais israelenses continuam a receber e tratar palestinos feridos, a cada dia.
Nossa esperança deve ser a de que os combates se encerrem rapidamente.
E que, ainda mais rápido, esperemos igualmente, os comentaristas recuperem o bom senso. (negrito deste blog).
Eles descobrirão, quando isso acontecer, que Israel cometeu muitos erros ao longo de muitos anos (oportunidades perdidas, a longa negação quanto às aspirações nacionais palestinas, unilateralismo), mas que os piores inimigos dos palestinos são os líderes extremistas que jamais quiseram a paz, jamais quiseram um Estado e jamais pensaram em criar um país para o seu povo, ao qual preferem ver como instrumento e como refém. (negrito deste blog).
(Considerem a sinistra imagem do líder supremo do Hamas, Khaled Meshaal, que, quando a escala da resposta israelense tão ardentemente desejada ficava clara, limitou-se a declarar uma retomada das missões suicidas -e isso de seu confortável exílio e sua sinecura generosa em Damasco.)
Restará uma de duas opções.
Ou os líderes do Hamas restabelecem a trégua que violaram, e aproveitam para declarar nula uma agenda que se baseia na pura rejeição à "entidade sionista" -e ao fazê-lo se reintegrem ao vasto partido que favorece um compromisso e que (Deus seja louvado) jamais deixou de avançar na região-, permitindo que a paz seja estabelecida; ou eles continuarão a encarar o sofrimento dos civis palestinos apenas em termos das paixões que isso acalenta, de seu ódio insano, niilista, além das palavras.
Se for este o caso, serão não apenas os israelenses, mas os palestinos, que precisarão ser liberados da escura sombra do Hamas.
O francês BERNARD HENRI-LÉVY é filósofo. Este artigo foi distribuído pelo New York Times Syndicate
Tradução de PAULO MIGLIACCI
Fonte: www.folha.com.br (12.01.09)
Nota do editor do Sê Fiel
Também neste artigo de opinião, de quem esteve lá, no palco desta guerra absurda, tendo portanto conhecimento sobre o que escreve, fica claro que o Hamas não quer terra, não quer paz. Seu único objetivo é "varrer Israel do Mapa".
Edmar Torres Alves - editor do Sê Fiel
www.sefiel.com.br
postado por Edmar Torres Alves, , em 13-01-2009
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A Histeria Anti-Israelense
Como bem disse Golda Meir "não gostamos das guerras, nem quando as vencemos".
Orem pela paz em Jerusalém e pelo povo judeu. A situação é gravíssima.
Orem também para que a Igreja possa se posicionar corretamente e não ter medo da intimidação.
shalom a todos
Sandro
A Histeria Anti-Israelense
POR PILAR RAHOLA - publicado no jornal " La Vanguardia", de Barcelona, em 11/01/2009
O principal inimigo do povo palestino vive em seu próprio meio.
"Entendo que queiram nos apagar do mapa, mas não podem pretender que cooperemos com vocês para conseguir este objetivo".
O fato de que esta velha frase, dita por uma cáustica Golda Meir aos dirigentes palestinos, seja tão atual nos dá a medida da tragédia que sofre a Terra Santa há décadas.
Na realidade, esta mesma frase está embutida na drástica decisão militar que o governo israelense tomou, e que voltou a colocá-lo sob a mira - e ira - planetária: a necessidade de frear o permanente intento de destruição de Israel.
Como dizia recentemente o professor Joan B. Culla, com relação à incursão militar do exército israelense na Faixa de Gaza, são cabíveis múltiplas reações e algumas têm um sentido crítico justo.
No entanto, como abundam as reações histéricas, carentes de qualquer vislumbre de reflexão serena, estritamente baseadas no maniqueísmo e no preconceito, será necessário fazer-se algumas perguntas com relação aos fatos.
Como escreveu recentemente o jornalista Ari Shavit no jornal israelense Haaretz:
"A operação Chumbo Fundido é uma operação justa. E é, também, uma operação trágica".
Discordo do termo "justo" porque, como também dizia Golda Meir, "não gostamos das guerras, nem quando as vencemos".
Nunca se pode considerar justa uma incursão militar que provoca dezenas de mortos, ainda que tenha como objetivo a destruição das instalações militares do Hamas.
Porém, pode considerar-se que seja inevitável?
Alguns intelectuais, como Amos Oz, já haviam alertado que a incursão em Gaza implicaria em uma nova grande campanha contra Israel.
Mas até a esquerda israelense está mantendo uma posição muito morna a respeito da incursão.
É que a decisão de atacar o Hamas chega depois de um tremendo cansaço da sociedade israelense, farta de não encontrar nenhuma saída e nenhuma esperança.
E farta de saber que o outro lado trabalha incansavelmente para destruí-la.
Vejamos, pois, as perguntas, dirigidas especialmente aos manifestantes panfletários, que vociferam seu ódio a Israel pelas ruas de nossas cidades, a maioria deles suspeitos habituais, desde os convencidos da esquerda intolerante, sempre preparados para levantar os punhos contra Israel, até os múltiplos setores do islamismo.
Curioso, por certo, esta exibição pornográfica.
Os que saem à rua dizem fazê-lo à favor da liberdade da Palestina.
Bem, onde estavam durante todos estes anos em que cresceram os fenômenos fundamentalistas que oprimiam até o delírio os próprios palestinos?
O Hamas tem algo a ver com a liberdade ou tem a ver com o fascismo do tribunal islâmico?
Defende-se a liberdade adestrando-se crianças para o suicídio e escravizando-se mulheres? (negrito do blog).
O Irã, país que sustenta economicamente o Hamas, defende a liberdade?
O patrimônio dos terroristas do Hizbullah é a liberdade?
Dizem, também, que saem às ruas por solidariedade.
Bem. Solidários com quem?
Com Mahmud Abbas, o presidente palestino, que tem sido menos crítico com a incursão, do que qualquer manifestante panfletário europeu?
Com os palestinos, que não estão de acordo com o uso dos fundos de ajuda à Palestina para armar exércitos e preparar atentados?
Já se perguntaram o que acontece com estes fundos?
A solidariedade com os palestinos se defende minimizando o terrorismo e perdoando as agressões do Hamas?
Se defende a paz ajudando líderes palestinos que não crêem nela?
É certo que, contra Israel, a esquerda intolerante vive melhor.
E é certo também que, a massa vociferante prefere a versão simplista de um mundo de bons e maus às realidades complexas.
Mas, acima dos preconceitos, os fatos são imperiosos.
Israel se retirou de Gaza, deixando intactas as estruturas econômicas que havia criado.
O Hamas destruiu todas elas e aproveitou a retirada para voltar a preparar um exército de destruição. (Negrito do blog).
E, centenas de mísseis depois, continua preparando-se para isso.
O silêncio dessa esquerda, que hoje grita tanto, tem sido muito significativo.
O que está ocorrendo em Gaza é trágico.
Porém, não começou com a incursão de Israel.
E colocar todas as culpas em Israel é cômodo e simples, mas não resolve nada.
Porque o principal inimigo do povo palestino vive em seu próprio meio.
postado por Edmar Torres Alves, , em 12-01-2009
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